Inter-American Dialogue

A esquerda que torce o nariz para a proposta de Constituição no Chile

05.07.22 15:09

Um dia depois da entrega ao presidente Gabriel Boric do texto final da proposta de uma nova Constituição para o Chile, políticos da esquerda moderada estão se distanciando do projeto.

Nesta terça, 5, o ex-presidente Ricardo Lagos (foto), que foi do Partido Socialista e do Partido pela Democracia, publicou uma carta aberta dizendo que não apoia nenhum dos dois modelos de Constituição que estarão à mesa no referendo de 4 de setembro.

Nesse dia, os chilenos terão de escolher se querem continuar com a Constituição atual ou se preferem a nova, que foi elaborada ao longo dos últimos doze meses por uma Convenção majoritariamente de esquerda.

As constituições precisam de aceitação geral e recorremos às suas regras para salvar nossas diferenças. Uma constituição não pode ser partidária“, escreveu Lagos.

Na sua mensagem, o ex-presidente traça dois cenários possíveis. Um, para o caso de a proposta ser aprovada, dizendo que seriam necessárias melhoras no texto. Outro, para o caso de ser rejeitada, afirmando que um terceiro texto deveria ser elaborado.

As duas possibilidades aventadas por Lagos não estão contempladas na discussão atual, porque subvertem o acordo obtido pelo ex-presidente Sebastián Piñera, que apaziguou os protestos no país com a promessa de que um texto final seria submetido a um referendo.

Lagos não diz na carta como irá votar no referendo. Contudo, ao ser de esquerda e se afastar da campanha pela aprovação, ele já deu um sinal vigoroso para os que acham que somente a direita ou os conservadores é que estão descontentes com o texto elaborado pela Convenção Constituinte.

Lagos também pediu para não ser convidado para a cerimônia desta segunda, 4, em que os constituintes entregaram a proposta final a Boric. Outro que também não compareceu ao evento foi o ex-presidente Eduardo Frei, do partido Democrata Cristão, também de centro-esquerda.

Nesta terça, 5, o deputado Eric Aedo, chefe da bancada do partido Democrata Cristão na Câmara dos Deputados, convocou uma coletiva de imprensa e declarou que votará pela rejeição da proposta constitucional, em setembro.

O Partido Socialista, o Partido pela Democracia e o partido Democrata Cristão participaram da Concertación, a coalizão de centro-esquerda que governou o Chile na década de 1990.

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  1. Não conhecendo o texto, não há comentários a fazer sobre o nariz torcido da esquerda. Quem sabe um artigo esclarecedor sobre a proposta constitucional da sociedade chilena?

  2. O melhor talvez fosse aprimorar a constituição atual, que, pelo que tenho visto, apesar de ser dos tempos de Pinochet, tem suas qualidades!

  3. A Constituição tem que conter princípios para que o povo, seus representantes nos poderes e o Judiciário, se pautem por estes princípios: a vida, a liberdade e a propriedade. Entretanto o significado destas palavras estão sendo distorcidos pelas ideologia partidária ( de esquerda marxista e a direita).A ignorância e a alienação das pessoas farão dos referendos apenas uma aprovação daquilo que o grupo no poder quer.É uma escravidão consentida e legalizada.Olhe a Venezuela,China e Cuba. Meditemos

  4. Aqui no Brasil precisamos de uma nova Constituição, na qual não existam privilegiados para usufruirem de benesses tais como aposentadorias precoces p/ deputados e certas categotias de funcionários públicos, vantagens indecentes para certas categorias de servidores públicos, foro privilegiado seja para quem for, supersalários e super auxílios, justiça célere, etc....Ah!, e as leis precisam ser cumpridas

  5. Há uma esquerda não radical. Inteligente, se afastou do radicalismo marxista e entendeu que um sistema democrático ocidental é um valor que deve ser defendido. Na economia entendeu que matar o capitalismo é uma estupidez porque são os impostos sobre este sistema que financiam os projetos sociais. Entendeu ainda que o antiamericanismo é uma coisa estúpida fazendo apenas críticas pontuais ao país. No Brasil estamos ainda na esquerda jurássica, autoritária, burra e corrupta.

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