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Biden e Trump em trincheiras opostas na decisão do aborto

24.06.22 14:19

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (foto), comentou nesta sexta, 24, a decisão da Suprema Corte de não considerar o aborto um direito no país.

Hoje a Suprema Corte expressamente tirou um direito do povo americano, um direito que já tinha sido reconhecido. Em um minuto, simplesmente o jogou fora, como se nunca tivesse sido dado e fosse tão importante para tantos americanos. É um dia triste para a Corte e para o país“, disse Biden.

A decisão, tomada por 6 votos a 3, reverteu um entendimento de 1973, no caso Roe versus Wade, que permitiu a prática com base no direito à privacidade. A partir de agora, caberá a cada estado definir suas regras, sendo que metade deles deve tornar o procedimento mais rigoroso.

O ex-presidente americano Donald Trump falou na linha contrária: “Isso é seguir a Constituição e devolver direitos quando deveriam ter sido concedidos há muito tempo. Acho que, no final, isso vai funcionar para todos.”

Trump nomeou três juízes para a Suprema Corte — Neil Gorsuh, Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett — em seus quatro anos de mandato. Suas indicações tiveram como objetivo declarado o de reverter Roe versus Wade. Ao final, todos os três votaram por revogar o direito ao aborto e deram a margem necessária para que isso acontecesse.

Foram três juízes, nomeados por um presidente, Donald Trump, que eliminaram um direito fundamental para as mulheres neste país. Não se engane. Esta decisão é a culminação de um esforço deliberado, ao longo de décadas, de mudar o balanço da nossa lei. É a realização de uma ideologia extrema em uma era trágica pela Suprema Corte, na minha opinião“, disse Biden. “É tão extrema que as mulheres poderão ser punidas por protegerem sua saúde. É tão extrema que meninas e mulheres terão de parir uma criança que é resultado de um estupro.”

A decisão desta sexta é um golpe duro nos políticos democratas e em seus apoiadores. Biden pediu, em seu discurso nesta sexta, para que os americanos votem em deputados e senadores democratas nas eleições legislativas deste ano, para que eles façam uma lei federal para regulamentar o aborto.

Trump, por outro lado, poderá tentar novamente a presidência em 2014 dizendo que foi graças a ele que o direito ao aborto foi derrubado — algo que Biden acaba de confirmar.

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  1. Em menos de uma semana duas decisões cruciais do Supremo americano. As duas a favor dos conservadores. Mas contraditórias entre si. No caso do porte de armas revogou o direito de Estados deliberarem sobre o tema. No caso do aborto deu aos Estados o poder de deliberarem sobre o tema. Lá como cá as decisões são ideológicas e não seguem uma lógica jurídica. As decisões se baseiam no que mais convém aos conservadores. Dane-se a coerência.

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