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Inflação corrói popularidade de Joe Biden nos Estados Unidos

01.12.21 09:33

Desde o início de seu mandato, em janeiro, a aprovação do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (foto), caiu dez pontos percentuais e hoje está em 42%.

A principal explicação para essa queda é a inflação. Uma pesquisa feita pelo Instituto Marista de Opinião Pública apontou que a principal preocupação dos americanos é com a subida dos preços, citada por 39% dos americanos. Em seguida, aparece o valor dos salários, citado por 18%. Os dois temas, contudo, são um só, uma vez que é o aumento do custo de vida que faz com que os salários fiquem defasados.

Parte do problema é culpa da pandemia, parte do ex-presidente Donald Trump e parte de Biden.

A inflação ocorre quando há um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de produtos. “A pandemia de coronavírus gerou um gargalo do lado da oferta. Falhas na cadeia de suprimentos tiraram muitos produtos das prateleiras“, diz o economista americano Michael Walden, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Além da redução na oferta, também ocorreu uma elevação na demanda. “O governo federal despejou 6 trilhões de dólares na economia nos últimos dezoito meses, o que levou as pessoas a quererem comprar mais coisas. Em parte, esse dinheiro foi autorizado por Trump e também por Biden“, diz Walden.

O pacote de infraestrutura, aprovado pelo Congresso americano, ainda não entrou na conta da inflação porque será gasto ao longo de dez anos, o que deve reduzir seu impacto.

Nos últimos doze meses, a inflação dos Estados Unidos foi de 6%. É menos do que a esperada para o Brasil, da ordem de 10%.

Mas 6% é muito mais do que os americanos estão acostumados. Por lá, a inflação anual tem ficado em torno de 1% ao ano. A última vez em que os Estados Unidos registraram uma inflação de dois dígitos foi entre 1979 e 1981, nos governos dos presidentes Jimmy Carter, democrata, e Ronald Reagan, republicano.

Carter teve de enfrentar a onda inflacionária no final de seu mandato, o que o impediu de conseguir a reeleição. A questão passou para Reagan e só foi resolvida com a chegada de uma recessão. “A sorte de Biden é que seu mandato ainda está no começo e ele tem tempo para mudar esse quadro“, diz Walden.

Nas eleições legislativas de meio mandato, no ano que vem, espera-se que os candidatos democratas sejam prejudicados pela situação da economia. Na pesquisa do Instituto Marista, apenas 42% dos americanos disseram aprovar a maneira como Biden está administrando a economia, uma queda de seis pontos percentuais em relação a setembro.

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