Irmãos de Dias Toffoli viram sócios de resort no Paraná

17.09.21 17:43

Apesar da crise vivenciada pelo turismo devido à pandemia, a família de Dias Toffoli decidiu ampliar os investimentos no setor. Registros obtidos por O Antagonista mostram que José Carlos e José Eugênio, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal, tornaram-se sócios do Tayayá Aqua Resort, complexo localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.

Construído na região conhecida como “Angra doce”, o Tayayá recebe regularmente visitas do magistrado. Dias Toffoli chegou a receber uma homenagem da Câmara Municipal de Ribeirão Claro por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa ‘Tayayá Aquaparque Hotel e Resort’”.

O empreendimento estava registrado, até então, em nome de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, e do advogado Euclides Gava Junior. Em 10 de dezembro do ano passado, no entanto, os dois decidiram admitir no negócio a Maridt Participações S.A., aberta quatro meses antes pelos irmãos do ministro.

Os novos sócios, segundo a certidão que indica a alteração societária, fizeram um investimento de 370 mil reais, garantindo 33,33% do negócio. Admitida no quadro do Tayayá Aqua Resort, a Maridt tem como endereço registrado a casa de José Eugênio, situada no bairro Jardim Universitário, na mesma cidade. José Carlos, que ocupa o cargo de diretor-presidente da empresa, é padre desde 1983 e atua na Paróquia Sagrada Família de Marília.

Como mostrou Crusoé em 2019, o complexo turístico, às margens da represa de Chavantes, foi lançado em 2008, com investimento inicial de 2,2 milhões de reais e hoje conta com nove pousadas, 66 chalés e 100 apartamentos, distribuídos numa área de 108 mil metros quadrados, com seis restaurantes e um parque aquático.

O terreno foi adquirido por Degani e Gava Jr em 2000, por apenas 40 mil reais. Segundo registro de cartório, a construção das unidades hoteleiras, que são negociadas no mercado na forma de cotas, teria custado 15 milhões de reais.

A força-tarefa Lava Jato em Curitiba chegou a avaliar o negócio. Os procuradores suspeitaram que o ministro do STF poderia ser sócio oculto do empreendimento do primo, mas isso nunca foi comprovado. 

Ouvido ontem pela reportagem, Dias Toffoli disse que “não comenta sobre a atuação de familiares ou terceiros” e “informa ainda que todos os seus investimentos são devidamente declarados à Receita Federal”.

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