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Pedro Castillo: sem autoridade moral, sem aprovação popular e sem partido

01.07.22 17:49

O presidente do Peru, Pedro Castillo (foto), é hoje um dos presidentes com a maior desaprovação na América Latina. Em onze meses de mandato, sua aprovação caiu de 37% para 19%. A rejeição bate os 71%. Entre os líderes de esquerda da América Latina, ele só se sai melhor que o ditador venezuelano Nicolás Maduro, que não chega a 15% de aprovação.

Uma das principais críticas em relação ao presidente é em relação a corrupção. Segundo uma pesquisa do Instituto de Estudos Peruanos, 81% dos peruanos acham que há corrupção no Poder Executivo. Para 66%, Castillo não é honesto e 73% dizem que ele não inspira confiança.

Em pouquíssimo tempo, Castillo, um professor de escola rural que prometia governar com “autoridade moral“, foi acusado de diversos casos de corrupção, os quais foram elencados por uma investigação no Congresso nesta semana, que rendeu 362 páginas.

É uma notícia desanimadora para o país que teve quatro ex-presidentes manchados por desvios de empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, e que pretendia se erguer desse lamaçal.

Castillo foi acusado de ter direcionado a licitação de uma ponte, com seu sobrinho Fray Vázquez Castillo, que está foragido.

Nas Forças Armadas, Castillo pressionou pela promoção de diversos militares próximos a ele, o que seria uma ingerência indevida na corporação. As conversas, feitas por WhatsApp, vazaram para a imprensa.

Para ocultar suas ações, Castillo e seus subordinados realizaram reuniões fora do Palácio do Governo, contrariando o que manda a Constituição nacional.

Funcionários sob as ordens do presidente, como o ex-chefe de gabinete Bruno Pacheco, teriam feito manobras para beneficiar empresas e cobrado por serviços que não se realizaram. O Ministério Público ainda encontrou 20 mil dólares dentro do banheiro do gabinete de Pacheco, dentro do Palácio do Governo. Pacheco também está foragido.

Os crimes listados incluem tráfico de influência, organização criminosa, negociação incompatível com suas funções e aproveitamento indevido. “Há evidências e uma série de situações que corroboram que ocorreu corrupção neste governo. Há vários casos graves, e o que a comissão fiscalizadora do Congresso fez foi juntar todos eles“, diz o advogado peruano Luis Lamas Puccio, em Lima.

A investigação parlamentar, como uma CPI brasileira, terá de seguir seu caminho pelo Ministério Público. Mas a Constituição peruana não permite que o presidente seja objeto de uma acusação. E ele só pode ser investigado preliminarmente.

O mais provável, portanto, é que ele sofra um julgamento político, com partidos de oposição solicitando um pedido de vacância. As chances de isso ocorrer têm aumentado.

Esta semana, Vladimir Cerrón, líder do partido Peru Livre, de Castillo, pediu a desfiliação do presidente da sigla, no que foi atendido. “Não se entende muito bem o que causou isso. A explicação mais convencional é que Cerrón acha que assim seus candidatos terão mais chances nas eleições regionais, aos se mostrarem contra continuidade“, diz o cientista político peruano Eduardo Dargent.

Com menos partidos apoiando o governo, ficará mais fácil para que um novo voto de censura aconteça no Congresso no futuro. “Um impeachment não deverá ocorrer de imediato, mas certamente ficará mais fácil para a oposição extrair mais coisas do governo“, diz Dargent.

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  1. O chapeludo seguiu a perfeição a receita dos políticos esquerdistas latino-americanos, seria cômico não fosse trágico, e o Brasil caminha a passos largos pra esse mesmo fim…

  2. A sina da América "latrina" onde o populismo mais rasteiro impera às custas da ignorância da maioria e dos interesses escusos de poucos.

  3. Em política (principalmente nela) como na vida do dia-a-dia- "se quiser conhecer um homem (ou uma mulher) dê a ele(a) poder ou pinga" (do Povo)

  4. Feliz o país onde se investiga e os investigados têm certo medo a ponto de fugir. Já aqui, quem deveria investigar os poderosos se mistura com eles em viagens, jantares, etc.

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