MarioSabino

A vendedora de livros

03.06.22

Encontrei em um sebo a minha mãe morta. Fazia anos que eu não entrava em um sebo. Entrei por entrar, não estava à procura de livro nenhum, talvez estivesse em busca de mim mesmo, o jovem que adquiria livros em sebos, mas que foi se separando deles ao longo dos anos, juntamente com os cupins que os infestavam, os amigos que sumiram, as casas em que morei, os casamentos desfeitos, os namoros acabados e as grandes possibilidades que pareciam prestes a realizar-se, pelo menos para mim. Há alguns dias ouvi que não tenho timing da minha maior possibilidade de felicidade, ou ex-possibilidade, que acrescentou o defeito à extensa lista de falhas pessoais que me atribuem.

Não encontrei esse jovem eu no sebo, mas encontrei a minha mãe morta, o que equivale a dizer que me encontrei criança.

A minha mãe morta estava numa prateleira lá embaixo, próxima ao chão empoeirado, na forma das velhas coleções da editora Abril: Conhecer, Gênios da Pintura, Grandes Personagens da Nossa História e Grandes Personagens da História Universal. Elas eram vendidas a princípio em fascículos, nas bancas de jornais quando bancas de jornais viviam de vender jornais, e você podia mandar encaderná-los em capa dura, a cada lote de temas, com o título em letras douradas, para colocar na estante da sala. Era um tempo em que havia estantes na sala e livros compunham a decoração de uma classe média que ainda almejava se mostrar letrada.

Como os fascículos fizeram sucesso, a editora Abril decidiu que havia uma grande oportunidade comercial se as coleções fossem vendidas já encadernadas, de porta em porta, como os perfumes da Avon. Era um tempo também em que era possível bater à porta de casas e apartamentos.

É aí que entra a minha mãe. Separada havia pouco, ela lutava para sustentar os três filhos, dos quais sou o mais velho. Sem formação universitária, sem qualquer experiência profissional relevante, ela se tornou vendedora de livros. A minha mãe era uma mulher franzina, não chegava a um metro e sessenta de altura, mas se candidatou ao trabalho em boa parte braçal e foi selecionada.

No início, ela contava com o seu fusca para trabalhar. Ter carro era condição necessária para o emprego. Mas a minha mãe logo o perderia, porque não dava mais para pagar as prestações do consórcio e lhe tomaram o fusca. Ela, então, era obrigada a carregar o dia inteiro um exemplar de cada coleção, num total de quatro numa sacola, além de uma pasta com os prospectos e formulários de compra e a própria bolsa. Para não perder o emprego, escondia o fato de não ter mais carro.

Os vendedores ganhavam um fixo, desconfio de um salário mínimo, não muito mais do que isso, e o sustento vinha das comissões. Cada coleção valia um determinado número de pontos, conforme o seu preço. Como a Conhecer era a mais barata, valia menos pontos. A mais cara era Gênios da Pintura, que valia um monte deles. O vendedor não ganhava comissões por coleção vendida, mas por faixas de pontos obtidos. Menos de 120 pontos por mês, por aí, não lhe davam direito a comissão nenhuma, apenas à mixaria do salário fixo. 

Eu tinha nove anos e via a minha mãe sair carregando todo aquele peso, para cobrir uma grande área da cidade previamente estabelecida pelos chefes de vendas. Ela era uma vendedora mediana, nunca chegou a fazer muitas centenas de pontos, o fato de não ter carro a tornava mais lenta nas locomoções, mas, quando as vendas eram melhores, os sacos de papel do armazém do seu Ernesto chegavam mais numerosos e a minha mãe parecia ser a mulher mais feliz do mundo, apesar da exaustão física que era patente. Foi com orgulho que ela nos levou à festa de Natal de 1971 dos funcionários da editora Abril, no Ginásio do Ibirapuera, na qual as crianças viram um Papai Noel chegando à quadra — o dos filhos dos vendedores de livros apareceu bem pequeno, comparado ao dos filhos dos empregados graduados — e que nos proporcionou brinquedos suficientemente vistosos (lembro que gostei muito de um pião de plástico, com um ponteira de borracha que não funcionava).

O grande momento da vida de vendedora da minha mãe foi quando a editora Abril resolveu que os melhores vendedores do mês iriam passar uma semana em Santos. Não em férias, sim para vender mais livros. O prêmio era carregar peso, portanto, mas em outra cidade, onde ela não precisava fingir que tinha carro e a hospedagem era num hotel que parecia ser o máximo, a julgar pela descrição que fizeram aos vendedores e que a minha mãe repetia para nós. Ela lutou bravamente pelo direito de ir a Santos. Acompanhei de perto a contagem de pontos necessários para ser incluída na viagem. Conseguiu no último momento. Ficamos com a nossa avó, que morava conosco.

Depois ficou claro para mim que a minha mãe tinha também outro motivo para querer ir a Santos: um namorado que já estava com vaga garantida. Acho até que ele passou pontos para ela, sem querer desmerecer o trabalho da minha mãe. O amor tem disso. O nome do namorado era Briand, homenagem ao primeiro-ministro francês Aristide Briand, que ganhou o Nobel da Paz e que, coincidentemente, batiza o nome da rua em frente ao meu primeiro endereço em Paris. O Briand da minha mãe era um sujeito bonitão, de olhos claros, muito loquaz, especialmente quando tomava algumas doses de uísque Old Eight, que a minha mãe lhe servia quando ele aparecia em casa, como “amigo”, e pendurava o paletó num dos lados da estante. O uísque era dele.

O Briand foi um grande personagem da minha pequena história, com quem mantive uma relação conflituosa. Quando passei no vestibular, esperei a minha mãe para dar a notícia. Ela já não vendia livros, nem o Briand, mas ambos continuaram namorando, embora eu já não o visse em casa. Não pude dar à minha mãe a notícia sobre o meu sucesso no vestibular porque foi no dia em que ambos terminaram. Ou melhor, no dia em que ele terminou com ela. A minha mãe chegou arrasada, sem dizer nada. Eu também não disse palavra. Ela foi se deitar e eu fui sozinho tomar guaraná na lanchonete da esquina, para simular uma comemoração. Acho que herdei desse dia a minha falta de timing.

De um jeito ou de outro, os livros me deram tudo: alimento, alegria, tristeza, conhecimento, o Briand, o primeiro emprego de verdade — e um alto cargo executivo na então poderosa editora Abril, onde passei quase vinte anos. Deram-me agora o reencontro com a minha mãe morta. Ela se chamava Italia e morreu apenas com cinco anos a mais do que tenho hoje, o que me faz pensar na urgência de adquirir timing. O peso que foi a sua vida agora jaz numa prateleira de sebo, lá embaixo, próxima ao chão empoeirado.

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  1. Desculpe-me Mário, lágrimas escorreram do meu rosto, mas o seu texto não tem absolutamente nenhum vestígio de pieguice. Ao contrário, só encontrei pistas de um humanismo que quase sempre enxergo nos conteúdos que você assina. São de um desprendimento fascinante, que sempre se sobrepõem ao pânico que muitos que escrevem têm de ficar nú. Você venceu essa barreira.

  2. Como as estórias das mulheres “independentes” se parecem ! Revivi a minha ao ler seu texto, só que eu tentava vender comercias para rádio junto aos anunciantes avulsos e pequenas agências de publicidade , com 3 filhos para sustentar ! É doloroso !

  3. Mario, que texto lindo! Meu pai tinha essas coleções na estante de casa. Foram nossa (minha e de meus irmãos) fonte de consulta para muitos trabalhos da escola. Que saudade... Linda e delicada declaração de amor à sua mãe, a melhor e mais importante vendedora de livros da sua vida... Texto comovente e timing perfeito. Grande abraço

  4. Caro Mario Sabino, quem escreve uma crônica desse nível não tem direito à falsa modéstia. Já aguardo a próxima. Ou o livro.

  5. Embora triste, o texto é belo. Apesar da perda, restam o orgulho de ter tido uma mãe assim, e uma lembrança eterna. Nem todas as pessoas podem dizer o mesmo, principalmente, hoje.

  6. Muito comovente a crônica de Mario Sabino "A vendedora de livros". Que exemplo de mãe, que exemplo de filho, que exemp´lo de pessoa que se faz sozinho com poucos (ou nenhum) recursos financeiros. Parabéns nobre jornalista.

  7. Gostei demais. Como sempre, muitíssimo bem escrito. A história, melhor ainda. Faz parte da vida de todo grande homem esses pequenos detalhes que os tornam grandiosos. Abraços e tenho certeza de que seu timing já é considerável.

  8. Mario meu querido. que belo texto. minha amada mãe morreu na quinta passada aos 90 anos!!! Cuidei dela e do meu falecido pai desde que comecei a trabalhar aos 16. A medida que meus empregos melhoravam mais eu assumia as contas. Tenho muito orgulho disso.

  9. Como ocorre com a maioria dos brasileiros, a história é melancólica e a mãe guerreira e sofrida se faz presente

  10. É sempre muito bom ler texto como o seu desta semana. Tocante, sensivel , traz a verdade triste ou alegre, em cada palavra. Admirável!

  11. Texto sensível e sensacional. Trouxe à minha memória outra mulher guerreira como dona Itália: Minha mãe. Embargou a garganta e, no final deste artigo divino, chorei. Obrigada Mário pelo conteúdo compartilhado. Adorável.

  12. Excelente texto, Mario. Também costumo frequentar sebos e há alguns anos me deparei com um livro, de um autor que não conhecia à época, que resolvi comprar. Como dizem, são os livros que encontram a gente. O título? "O Antinarciso". Abraços.

    1. Vou procurar, Marcelo. Obrigada, também. Abraço, também.

  13. Emocionante. Uma linda história.Tal mãe, tal filho. Tentei ser vendedor de livros da editora Abril, quando rapaz, mas sem sucesso. Havia uma competitividade bem acirrada.Admiro a coragem e o talento da mãe do Sabino. Se tirava leite de pedra. Outras épocas, como o mundo mudou?Desafio qualquer vidente, da época advinhar o futuro que se fez presente. O que é a nossa cabeça. Como alguém daquela época consegue ainda, entender o hoje. Só um milagre. Por isso, acredito em alguns. Obrigado!!!

  14. O artigo é maravilhoso, aliás, como todos Mário. Fiquei emocionada e você deve ser uma pessoa muito legal, mesmo com a falta de "timing". Grande abraço.

  15. Emocionante seu relato. Parabéns à sua mãe, que com certeza ficou orgulhosa do filho que conseguiu educar com tanto sacrifício. Palmas à dona Itália!

  16. O Mario escritor, que desperta nossas emoções, nada tem a ver com o Mario comentarista do Papo Antagonista, o Hardy do Lippy & Hardy: "oh céus, oh vida, oh azar. Eu sei que não vai dar certo". O negativismo em pessoa! Mas que conquista o coração da gente como a pequena hiena azarada :)

    1. Magda, parabéns pelo comentário criativo, inteligente e...bem, verossímil...rs. Um abraço!

  17. Que texto lindo, Mario! Confesso que ser brasileiro se torna um pouco menos doloroso após a leitura de seus textos. Parabéns!

  18. Linda história. Disse, com muito carinho, sobre sua mãe, sobre si, e causou uma profunda e tácita reflexão aos tempos em que vivemos. Parabéns!

  19. Texto brilhante e sensível como só Mario Sabino sabe ser. Você não existe !!! Aliás, existe e está aqui bem pertinho na Crusoé!!! Parabéns!!!

  20. adorei !!! eu me emocionei as lagrimas Sabino Adoro como voce escreve. Essa redação me levou a minha adolescente pobre, querendo o melhor para minha mae!

  21. Uma bonita e interessante crônica. Quisera eu ter esse talento literário para saber contar as histórias que permeiam e permearam a minha vida.

  22. Muito bonito! A primeira vez que leio algo que escreve. Ele me fez viajar no tempo. Foi algo bom que me aconteceu nessa tarde de domingo ensolarado. Senti-me nos sebos que tanto frequentei. Simplesmente muito bom mesmo. Obrigado.

  23. Quanto amor! Ontem de sua mãe, hoje de você. Emocionante seu texto, cheio de sentimentos que se misturam e complementam, amor, dor, sofrimento, batalha pra vida, valores familiares que nos faz refletir, relembrar, agradecer ….

  24. Texto maravilhoso. Ao ouvi-lo me senti numa sessão de análise de grupo. O seu texto é revelador de sua amargura. Parabéns por dividi-lo

  25. Você é o timing, talvez por isso você não o percebe. Você é a nossa referência em jornalismo, parabéns pelo emocionante texto e obrigado pela dedicação aos leitores.

  26. Sou mais velha que você , Mário. Tive também uma vida de muitos livros , coleções e tudo mais que implica viver. Colecionar você é um privilégio.

  27. O último texto que leio na Crusoé - o do Mário . É a cereja da minha fatia de bolo . Deliciosa e degustada com todo meu sentido . Obrigado Mário .

  28. O primeiro texto que leio na Crusoé é o do Mario. Posso até não ler os outros, mas o dele é sempre uma aula de história ou de vida.

  29. Eu gosto dos seus textos, Mario. São pitorescos, falam da vida real; sem fantasias, ideologias enviesadas, sem palavras sofisticadas. Não! A mensagem é escrita de forma natural, com um delineamento preciso e sem devaneios. Dá até para imaginar as cenas que você descreve. Sim, eu tenho essa mania; imagino tudo como um filme que passa pela pela tv. Tristeza, alegria, pobreza, alegria etc etc etc tudo faz parte desse fenômeno que chamamos de Vida. Tudo é natural! Por isso que eu gosto dos seus textos

  30. Mario, você me lembrou Mainardi que fez um emocionante e lindo adeus a sua querida mae achei tao excelente que copiei.agora voce tambemfala de sua mae querida do esforco que fez em educar com sacrificio o3 filhos,isso e comovente, que sirva de licao,muitos filhos jamais lembram dos sacrificios maternos, gostei do seu relato.

  31. Maravilhoso artigo, apesar de melancólico! Vc escreve como ninguém, jornalista Mario Sabino e, por isso não dá vontade de parar de ler os seus artigos...

  32. Quem passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça e em sua vida não sofreu, foi espectro de homem. Não foi homem. Passoi pela vida nas não viveu. Mário, nossas homenagens e agradecimentos por nos presentear com textos deste quilate.

  33. Minha mãe também comprava esses fascículos e os encadernava. Aprendemos muito, minha irmã e eu, sobre arte, cinema, música, história… os textos eram didáticos e as gravuras de excelente qualidade! Belas recordações de um mundo bastante mudado!

  34. Que texto lindo! Um misto de alegrias fugidias e dor que escondemos no mais recôndito de nossa alma. Um verdadeiro choque de realidade e um merecido tributo a essas mães guerreiras que ignoram as dores do mundo no desvelo pelos filhos. Vida é sofrimento que, felizmente, teimamos em não reconhecer como tal.

  35. Eu juntava todas as moedas pra comprar os fascículos das coleções. Hoje ainda tenho na estante GRANDES PERSONAGENS DA NOSSA HISTÓRIA! Marcou minha infância.

  36. Mario, mais uma vez... Li com os olhos marejados. Mães são assim como a sua. Todas elas. Possivelmente a única unânimidade não burra. Nada! São unânimes na sabedoria, plenas no amor. Nascem assim.

  37. Seu timing é o das pessoas que tem uma visão realista,sem "dramas",das situações complicadas que a vida nos impõe. Consegui rir muito em determinados trechos da sua história...será que perdi o meu timing?

  38. Mario, você é um fdp. Faz me chorar aos prantos lendo seus artigos. Se são verdades ou não, pouco me importa. Tocam me sempre no fundo da alma. Portanto vai tomar no teu c. Com todo respeito e admiração.

  39. Maes sao sempre heróicas: têm no seu DNA a defesa da sua prole. Assim, cada uma com sua história. A minha enviuvou aos 31 anos, sem um tostao, quatro filhos e a quinta gestando em seu ventre. Eu era a mais velha, com 11 anos recém completados. Ao receber a sugestao de um aborto deu uma resposta exemplar: onde comem quatro, comem cinco. Era leitora voraz e dela tive mais esse outro exemplo. Foi faxineira, cabeleireira e enfermeira. Maes sao sempre heróicas. Quanto ao timing, ele é sempre certo.

  40. Emocionante,, Mario! Revivi minha infância quando juntava todo o dinheirinho que ganhava e ia feliz à banca de jornal comprar meu novo fasciculo.

  41. Você já falou do seu pai "galã"! Então, sua mãe e 3 filhos ficaram ao deus-dara! Você é um sobrevivente vencedor! Espero que esteja por aqui por longos e longos anos para nosso deleite!

  42. Parabéns Mário!!! Belíssimo texto, uma emocionante homenagem a sua mãe e por extensão com seu texto brilhante vc homenageia a grande maioria das mães brasileiras, verdadeiras guerreiras na criação de seus filhos.

  43. Mainardi tem razão... Sua coluna está infinitamente melhor que a dele. É sempre um imenso prazer ler seus textos

  44. Desmanchei a casa de minha mãe depois da morte dela aos 94 anos. Quase 1 séc. de móveis, de objetos, de papéis, de montanhas de livros. Ela era escritora, e meu pai havia sido editor. Fiquei c/parte dos livros; c/os especiais, c/ os q ñ consegui me desfazer. Dei a gde maioria. Chorei a cd caixa q saiu do apartamento. Ver as coleções (cujos fascículos meu pai semanal/ me dava, numa das poucas demonstrações de carinho comigo) me devastaram. Quem sabe uma delas seja a da última prateleira do sebo.

  45. Fez lembrar minha mãe na sua luta para criar os oito filhos. Uma história profunda, digna das grandes mães. Parabéns.

  46. 💙😔😪😪😪 Mário, querido, seu timing é perfeito. Sempre. Obrigada. Estou perto de me tornar um exemplar da prateleira ao rés do chão...

  47. Fez lembrar a luta da minha mãe para criar os oito filhos. Parabéns, uma história profunda, comovente, que mostra a vida como é.

  48. Essas coleções fizeram parte da minha infância e adolescência. Excelente a crônica. Trouxe memórias da juventude. Tenho esses livros até hoje. Melancolia para o fim de semana.

    1. É um sabido mesmo esse Mario. Tem o privilégio de ter um ótimo texto. Olêolá, cidadão das memorias, sempre!

  49. Muito legal o seu texto, recomendei até para a minha filha de 13 anos. Ler os comentários foi emocionante .Obrigado Sabino.

  50. Putz..que lindo isso..emocionante. Como dizia Bruno Tolentino.."a vida e um rascunho.." Eu diria que a.vida e um retrato antigo. Parabens.

  51. Magnífico. Uma verdadeira lança no coração. Me lembro do Conhecer e das suas maravilhosas figuras. Me lembro como era um tempo difícil para a minha mãe. Me lembro de uma São Paulo cinzenta e escura. Me lembro dos sonhos que a Conhecer me levava.

  52. Que lindo, Mário! Mas eu fiquei com um aperto no coração pensando q o sr. podia ter contado sobre o vestibular... Acho q ia alegrar o dia triste dela... Eu tenho uma mania: voltar nos trechos q eu gostaria q fossem diferentes pra ver se eles eram diferentes e eu li errado por algum descuido... Voltei quatro vezes nesse parágrafo, mas não mudou... Um abraço e muitos, muitos, muitos anos de vida com saúde e cheios de surpresas agradáveis!☺️

  53. A Conhecer foi minha janela para o mundo! A tv não funcionava, a enciclopédia foi a substituta com muitos créditos. Aprendi muito e adorava!!! Seu texto, como sempre, maravilhoso!

  54. Sua sensibilidade é um bálsamo nesses tempos de notícias ruins. Seus textos valem ser lidos como doses homeopáticas. Parabéns! Sou fã.

  55. Chorei, Sabino. A vida de sua mãe contada assim, sem crítica, sem grandes elogios, com um final tão frustrante! A realidade é , às vezes, chocante. Continuo emocionada, parabéns.

  56. Minha mãe chegou a vender a Delta Larrousse. Não sei se teve sucesso nessa empreitada, acho que não. O único fruto visível foi uma coleção completa da Delta em casa. Meus amigos tinham Barsa, eu tinha a Delta, achava muuuuito melhor. Sua coluna me fez lembrar desse tempo, em que minha mãe sublinhava na Delta o que eu tinha que copiar para fazer o trabalho na escola. Rolou uma lágrima aqui.

    1. Nostalgia, melancolía, saudade. Tempo. Envelhecimento. Por isso choramos.

  57. Muito tocante seu texto. Me fez voltar a minha própria infância. Meu pai também vendeu as coleções da Abril. Tempos difíceis, que tentei, com algum sucesso, esquecer. Talvez agora, já velha, seja o momento de procurar em algum sebo da vida meu pai já morto há décadas e encontrar lembranças menos dolorosas.

  58. Bem que o Mainardi avisara: melhor que eu, quem conta a melhor história desta semana é o Mário Sabino, não deixem de ler… como sempre, disse uma grande verdade!

  59. Só agradeço a sua falecida mãe pelo escritor que ela criou. Incrível como vc consegue juntar as palavras de um modo q a gente se conecta com sua história e lembra de aspectos da própria vida que estão passando levianamente.

  60. Mario Sabino, tenho vontade de conversar com poucas pessoas na vida. Vc certamente é uma dessas pessoas. Seu timing é perfeito.

  61. Mário, Je suis immensément touché. Votre texte est empreint de spiritualité (non religieux, bien sur). Merci beaucoup d'avoir rendu mon vendredi plus heureux.

  62. Você sempre incrível caro Mario. Uma mente única, um profissional ímpar. Meus parabéns. Me sinto honrada pela oportunidade de poder ler sua coluna. Que Deus o de vida longa

  63. Sempre brilhante Mário Sabino. Dividindo conosco, neste texto, parte de sua história familiar cheia de emoções e desafios. Obrigado

  64. Maravilhoso texto! Retrato de uma época para tantos… eu fui uma dessas crianças. Mas meus pais não priorizaram meu desejo de ler tanto quanto eu ou não tinha grana para esse luxo. Enfim… lindo texto! Linda homenagem. Belo retrato de um momento.

  65. Quando a sua coluna não apaixona ela cativa (as vezes é preciso provocar uma raivinha). A sra sua mãe é uma fonte de orgulho tanto quanto foi a editora Abril. Tenho muitas coleções de livros e revistas adquiridos ao longo dos tempos. Estava muito inspirado e essa foi uma das suas melhores colunas. Leio diversas.

  66. Delícia de nostalgia... Guardo todas essas coleções citadas. Meu pai, leitor voraz se tornou arrimo de família aos 12 anos de idade quando meu avô faleceu. A vida dele guarda muitas semelhanças com a da sua mãe. Parabéns pelo texto.

  67. Minha mãe comprou a coleção de Gênios da Pintura. Ela sempre gostou de arte, e comprava as fascículos. Quantas lembranças. Eu teria uma história semelhante para contar, mas não faria com tanta propriedade como você. Parabéns pelo texto. Lindo e emocionante pedaço de sua história.

  68. O máximo de um escritor é expressar o quotidiano de todos nós com a perspicácia , a poesia e a verve que nao temos. Bravo, Mário.

  69. Sua falta de timing não deve ser tão grave, pois seu texto veio no momento perfeito. Parabéns pela sensibilidade e por me mostrar que preciso, também, fazer uma homenagem à minha própria mãe.

  70. Meu Deus que texto primoroso! Livros me deram tudo, também! E a Editora Abril faz parte da minha história de tantos modos! Que você encontre o "timing", sempre é tempo, conhecimento tem que ser transformado em ação, senão vira limo, sebo, mofo, como acontece no nosso triste país que despreza o conhecimento, com todas as letras e sons.

  71. Esse maravilhoso texto foi refugiar-se diretamente em meu coração, junto a tantas lembranças que guardo no peito. Parabéns!

  72. Parabéns pela linda e sensível narrativa dessa lembrança. Mãe, imagem enevoada e ao mesmo tempo tão quente, amada por todos nós os mais velhos.

  73. A história de uma guerreira, muito linda, Mário. Essa mistura de coleções, livros, Editora Abril, sebos, sua mãe, sua história, seu sucesso e lembranças nos emociona, porque é ou parece ser de um país que não existe mais, que se deteriorou, que se foi...

  74. Adoro seus textos! Verdadeiros! Realistas! Melancólicos e divertidos. Sinto um balaio de gatos de emoções! Consigo rir e chorar ao mesmo tempo.! 👏👏👏🙏🏼❤️👏👏👏

  75. Linda história. Mais uma daquelas que definem o seu bom caráter e o de sua valente mãe. Vidas reais, belas histórias de heróis anônimos.

  76. Parabéns Mário! Adorei seu texto. Você é brilhante! Eu também, aos 18 anos perdi meu pai. Minha mãe, jovem, bela, e batalhadora, criou e formou nós 4 com honra e dignidade. Sempre gostou de dançar…escondeu os amigos ou namorados, especialmente das três filhas… Viúva aos 45, viveu, dançou até a véspera da partida…curtiu bem sua vida até aos 86 deixando muitas saudades 😢

  77. Idem, idem, guardadas as localizações geográficas e profissões, a história minha ecde meus irmãos é idêntica. Só que tivemos a felicidade de te-la conosco por um bom tempo. Obrigado por compartilhar.

  78. Gosto muito dessas crônicas de vida que vc tem nós presenteado, afinal não acho que se possa tirar o mesmo proveito do nosso cenário político ultimamente.

  79. Temos algumas coisas em comum Mario. Também estou procurando encontrar o meu timing, quando me dou conta das coisas, já se foram... Meu pai foi vendedor de livros, época dura de privação e miséria, minha mãe empregada doméstica. Por tantas dificuldades e trabalhos, hoje os encontro em vários lugares, prateleiras, pias, oficinas... tudo me faz lembrar daqueles tempos. Continuo a procurar o momento certo de fazer, de agir, mas acho que já passou...

  80. Emocionante! Seu olhar na distancia do tempo reflete em cada palavra a nostalgia de uma heroina em tempos duros. Temps duros fazem homens fortes. Parabéns !!!

  81. Parabéns Mário. Lembrando também do Clube de Livros que comprávamos encolhendo em catálogos mensalmente. Obrigado pelas lembranças.

  82. Concordo com o Diogo, essa coluna ficou excepcional. Parabéns, Mário. Muito bom sair um pouco desse mundo louco que vivemos e relembrar dos tempos antigos, onde tudo era mais simples. Agora temos em sua mãe mais um exemplo de perseverança. Mas dê um jeito de durar mais tempo, perde-lo vai nos matar de desgosto.

  83. O texto do Mário é sempre uma pérola, esse são várias pérolas: sensível, emocionante, inusitado! Que bom começar o dia com uma leitura que nos abraça!

  84. Embora as lágrimas estejam prejudicando este registro, vou em frente e decido fazê-lo. Você nos revela a humanidade da dona Italia com muita delicadeza e a habitual competência. Transforma lembranças duras em reminiscências valiosas - e faz isso a tempo de honrar sua mãe e o que ela deixou para a sua formação. O Mario escritor tem o timing perfeito.

  85. Mário, me levaste à estante da casa de meus pais onde residiam as coleções da Barsa, Britânica e Delta Larousse e Delta Júnior. A Júnior tenho até hoje na MINHA estante da sala. Tempos que forjaram homens de qualidade. Tempos de dureza que nos prepararam para qualquer futuro que viesse. Bons Tempos e Ótimas recordações. Obrigado !!!

  86. Grande Mario Sabino, escreve desde um lugar onde não há holofotes sobre falsidades e por isso toca a alma de seus leitores, aqueles que reconhecem as amarguras da vida e continuam procurando torná-la mais doce, mais verdadeira e mais real. Obrigado.

  87. Eu me emocionei Mário… Mães: não há como descrevê-las! São únicas. E o enlevo dessa narrativa leva-nos à elas.

  88. Sua história é a minha. Só que com pai em casa, doente, mas mãe que não vendia livros. Os usava para minimamente ensinar - era professora primária -. Mas o timing "nosso" é o mesmo. Troquei o jornalismo pelo direito. Erro crasso!

  89. Lindo texto. Emocionante. Vcs arrasam. Obrigado e força. O Brasil não pode se resumir a picaretagem institucionalizada nos "jornalistas" vendidos aos canalhas traidores da pobre Pátria.

  90. Muito obrigado. Concordo com a observação de Mainardi. Seu texto é muito melhor do que o dele. E olhe que o dele é ótimo.

  91. Comovente. Trouxe de volta minha infancia difícil que ao invés de traumatizar , me impulsionou a " vencer na vida" se é que isso existe..

  92. Mário, agradecer a você por seus textos, sua leveza e tudo o que você nos proporciona, já é um lugar comum. Confesso que não aguento mais ler sobre a política nacional. Dei um basta. Espero ansiosamente a sexta-feira para ler você, Mainardi e Ruy Goiaba. Os outros artigos leio depois no fim de semana, aos poucos. É lugar comum sim, mas você tem o dom de dar leveza ao meu dia. Obrigada!

  93. Italia e Doninha são duas grandes personagens femininas da Crusoé de hoje e embora a diferença de uma estar viva e da outra estar morta o tamanho de cada uma pode ser medido pelo nome. Disso não tenho a menor dúvida.

  94. Mário, o que dizer do seu texto? Espetacular!!! Ao contrário da sua mãe, você jamais morrerá!! Grande abraço!!

  95. Lindo, lembrei da minha infância quase igual a sua. As coleções nos davam muito conhecimento, por que ao pesquisar acabávamos vendo outros assuntos.

  96. Um grande escritor é aquele que consegue transparecer suas emoções como se fossem a do leitor, tornando-o cúmplice, testemunha, voyeur. És um excelente escritor.

  97. E sexta-feira chega para me deliciar com esse texto maravilhoso. O dia será bem melhor, a semana será melhor. Acredito que todos nós temos "a mãe morta" de alguma forma.

  98. Poxa Mario, você é capaz de deixar a gente com olhos cheios de lágrimas. Comecei lendo achando que você ia falar dos hábitos de leitura “sebosa” e descrever aqueles livros engordurados de tantas mães e mãos e você louquazmente fala da vida cotidiana de muitos lutadores(as) incansáveis

  99. Melhoramos quando conseguimos escrever e ler algo sobre nós mesmos. Mais um excelente texto. É disto, afinal, do que vivemos.

  100. Viajei ao passado, a bordo de suas pungentes memórias. Seu texto carrega imagens, eu vi cada passagem como num filme. Fiquei emocionada, me transportei à minha própria juventude e senti um aperto no peito. Senti um grande carinho por essa mãe e seu filho, nesse encontro num sebo, como soe acontecer ao antigo revisitado.

  101. Cada um de nós é uma publicação cara a ser vendida em um sebo , e necessitando de um timing para degustação antes de ser consumida.

    1. Que lindeza este texto. Trouxe-me lembranças do sacrifício que fez minha mãe para comprar a coleção Barsa, que para mim era motivo de orgulho e estímulo para estudar, ainda menina. Entrei na sua estória de corpo e alma!!!!!

    2. Comovente, linda homenagem à Itália.

    3. Que maravilha ! Vi minha mãe na sua mãe.. Que escrita mágica! Como sempre excelente!!!

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