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Ingenuidade de Boric esbarra na resistência armada dos terroristas mapuches

18.05.22 12:07

O presidente do Chile, Gabriel Boric (foto), enviou as Forças Armadas para conter os ataques de grupos de índios mapuches ao sul do país. Um estado de exceção foi decretado por 30 dias, com militares sendo deslocados para estradas da região de Araucânia.

A medida de força, tomada com relutância, é um atestado da ingenuidade de Boric, que cresceu no movimento estudantil com um discurso a favor das comunidades indígenas. Para resolver o problema da violência dos mapuches organizados, que pedem autonomia, Boric prometia um diálogo com todos os envolvidos, sem impor condições. Seu programa de governo falava em retirar os militares da Araucania, revertendo uma política do ex-presidente Sebastián Piñera. No esboço da nova Constituição, que ainda poderá ser rejeitada, um artigo diz que o Chile será um estado plurinacional, a exemplo do que existe na Bolívia.

Mas a realidade não deu espaço para a concretização dessas utopias. Grupos de indígenas mapuches aproveitaram-se da fragilidade do novo presidente, que tomou posse em março, para escalar a violência. Homens encapuzados realizaram diversos atentados e ataques incendiários. Eles queimaram caminhões, tratores, automóveis, casas, centros turísticos, guaritas de policiais e lojas.

Os mapuches chilenos, bem mais violentos que os mapuches da Argentina, também ficaram mais ativos após a prisão de Esteban Carrera Zúnica. Ele é acusado de ter matado um idoso de 69 anos com outros oito amigos, em 2019. A vítima foi atacada após se recusar a deixar um camping, tomado pelo grupo Resistência Mapuche Kafkenche. Com paus, facões e armas de fogo, o bando matou o idoso e tentou assassinar seus dois netos, que conseguiram escapar, ambos com traumatismo cerebral.

Os oito mapuches foram condenados no ano passado a 20 anos de prisão. Em represália, os mapuches queimaram 31 casas em apoio ao que chamam de “presos políticos“. Esteban estava foragido e foi capturado em abril, o que desatou novos ataques.

Até agora, nenhum sinal do governo de esquerda tem sido capaz de demover os terroristas mapuches de provocar mais violência. Na semana passada, Héctor Llaitul, líder da Coordenadora Arauco Malleco, convocou os mapuches para “preparar as forças, organizar a resistência armada pela autonomia do território e autonomia da nação mapuche“.

A população da Araucania obviamente quer evitar ao máximo a realização da tal autonomia que querem os terroristas. Por isso, nas eleições do ano passado, votaram maciçamente em José Antonio Kast, que ficou vinte pontos percentuais à frente de Boric no segundo turno na região. Kast prometia enfrentar os mapuches violentos e fazer valer a lei. Boric, mais votado nas grandes cidades, era contra isso e pedia a paz. Com três meses de mandato, após ver sua popularidade despencar de 50% a 36%, o presidente achou melhor rever alguns de seus planos.

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  1. Ué o Boric nem esquentou o rabo na cadeira e manda o exército massacrar indígenas? Ianomâmis vocês não perdem por esperar se a quadrilha clepto-comunazista chegar ao poder ... inda vão chilenos otários?

  2. Outra opção é "arregar" e deixar o "centrão chileno" governar no lugar dele! (como fez o estelionatário eleitoral brasileiro)

    1. Outra Marcelo é entregar o poder ao ladrão mor do planetinha que já avisou que sua Janja será diretora operacional da BR assessorada pela Roze Noronha com o Vacari-lôko de presidente claro ... haja cinismo.

  3. No capitalismo, os resultados são sempre melhores que as intenções. No socialismo, as intenções são sempre melhores que os resultados.

  4. Não é momento de diálogo. Se o Boric não mostrar força agora, não terá como negociar um acordo no futuro.

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