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O naufrágio de Ingrid Betancourt nas eleições da Colômbia

23.05.22 17:30

A fama internacional de Ingrid Betancourt, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, é inversamente proporcional à sua popularidade dentro da Colômbia. Na última sexta, 20, ela abriu mão de sua candidatura à presidência quanto tinha 0,8% das intenções de voto, segundo pesquisa Invamer.

O enfado dos colombianos com Ingrid tem muito a ver com as contradições da política.

Resgatada em uma complexa operação das Forças Armadas colombianas em 2008, após passar mais de seis anos em cativeiro, Ingrid foi morar na França, onde tinha cidadania. Em janeiro deste ano, ela retornou para a Colômbia prometendo trabalhar pela reconciliação dos colombianos e pelo centro, em um país que, como os vizinhos, está dividido entre os extremos.

Mas Ingrid acabou fazendo o oposto do que tinha prometido. “Ao lançar sua própria candidatura, ela afetou muito a de Sergio Fajardo, que era de centro e tinha melhores chances“, diz Silvana Amaya, analista da Control Risks, em Bogotá. “Ela decepcionou muitíssimo o país, porque o seu partido e o de Fajardo brigaram muito.”

Ao desistir da própria candidatura na semana passada, Ingrid apoiou o candidato Rodolfo Hernández (na foto, de azul), um empresário que está em terceiro lugar nas pesquisas e tem alguma chance de ir para o segundo turno. “A contradição final é que a candidata que prometia negociar para construir o centro acabou se unindo a um candidato antiestablishment“, diz Silvana.

Com 0,8% das intenções de voto, Ingrid pode se orgulhar de ao menos uma coisa: ela é mais popular que as Farc. Nas últimas eleições legislativas, realizadas em março, o Partido dos Comuns, formado por ex-guerrilheiros, teve 0,19% dos votos no Senado e 0,13% na Câmara dos Deputados.

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  1. Politica latino americana se repete sem hemogenia popular em seu eleitorado... E segue o baile com esquerdismo dominando o continente infelizmente

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